Conversas da Treta
Quantas vezes já vos aconteceu estarem com um grupo de amigos num café, ou num jantar, e, no meio de milhares de baboseiras que se dizem, falarem de alguém que não está presente, e, sem maldade, mas por pura estupidez inerente à raça humana ou ao povinho lusitano, mandarem uns comentários foleiros, puros bitates, especulações ridículas sobre o que fulano faz ou deixa de fazer, e sobre o que sicrano disse, pensa ou é? Provavelmente milhares de vezes! Mas acabamos sempre essas conversas muito bem dispostos e sabendo que tanta parvoíce junta fica por ali, enterrada apenas nas memórias de cada um. E às vezes nem isso...
Mas é preciso conhecer muito bem as pessoas com quem se tem esses debates parvos, porque pode acontecer alguma coisa sair pra fora daquele núcleo de convivas e, fora de contexto, soar muito mal aos "felizes" contemplados pelas ferroadas dos tertulianos.
E inclusive é assustador pensar que alguma revelação pessoal que possa ser feita nessas conversas (e são quase sempre feitas muitas) possa ser dita aos quatro ventos fora daquele universo.
Não sinto nenhum peso na consciência por ter tais conversas com amigos porque a maldade está na cabeça de cada um e longe de mim magoar alguém propositadamente, não quero é estar preocupada de cada vez que vou comentar algo sobre alguém (incluindo eu) com medo de os meus devaneios e os dos outros serem transformados em notícia do dia.
